Sucesso em terras brasileiras

São Jorge foi nomeado pelos portugueses como seus padroeiro. Já no o Brasil, quem realmente o popularizou foram os negros africanos. Segundo o teólogo Antonio Carlos Oliveira Souza, na época do Império, os europeus consideravam sua religião superior e proibiam qualquer tipo de manifestação de fé contrária à sua. Para não perderem suas raízes religiosas, os africanos usavam imagens católicas em seus cultos, associando-as a algum orixá para não serem perseguidos. "Esses fatores culturais e religiosos fizeram com que São Jorge encontrasse espaço definitivo também no candomblé" explica o teólogo.

Nas regiões próximas ao Rio de Janeiro e ao Rio Grande do Sul, o cavaleiro da fé cristã é identificado como Ogum, o guerreiro, o deus do ferro e da agricultura. "Aqueles que desejam resolver os conflitos da vida, abrir os caminhos e tirar os empecilhos à sua frente recorrem a Ogum", afirma o pesquisador Reginaldo Prandi. Um pouco mais ao norte, na Bahia e em todo seu redor, São Jorge é identificado como Oxóssi, patrono da caça e da ecologia. "Diferentemente de Ogum, os que invocam Oxóssi pedem alimento e fartura para seu lar", conta o pesquisador.